O Outro
Perdoei os teus demônios réprobos — encarcerado, encontrei-te.
Suplicaste entre paredes indecifráveis — paz;
ninguém te ouviu naquela hora.
Teus olhos — lagos d’água; tua boca sedenta de mudez — fiquei ali.
Teu cigarro chegou ao fim; viste-o apagar-se– destemido.
Um sorriso de canto deste a um espelho torto.
Eu sempre estive ali.
Olhaste-me novamente e ignoraste-me — tinhas que primeiro ver-te melhor...
Assim que chegaste a ti, destrancaste-me e foste afora, sem monstros...
E eu fiquei — porta muda, fortuna para quem me vê.
Foto: Murilo Bitar













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