Avanço do mar ameaça comunidades e biodiversidade na foz do Amazonas
Levantamento aponta alta de 12,4 centímetros no nível do mar em três décadas e revela efeitos da erosão e da salinização no litoral amapaense.
O nível do mar na foz do rio Amazonas, o de maior vazão do planeta, subiu 12,4 centímetros entre 1995 e 2025 (uma média de 4,13 mm por ano), segundo análise inédita publicada pela InfoAmazonia. O levantamento, assinado pelo jornalista Gustavo Faleiros e baseado em modelo do Serviço do Ambiente Marinho Copernicus, mostra que em 2025 o nível do mar na região permaneceu, ao longo de todo o ano, acima da média histórica de referência, um padrão que os pesquisadores associam diretamente ao aquecimento global.
A reportagem especial da InfoAmazonia aponta que o fenômeno está ligado à intensificação do ciclo hidrológico na Amazônia, que vem produzindo chuvas e secas cada vez mais extremas e alterando o equilíbrio entre a força do rio e a do oceano na foz.
Cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) alertam ainda que o desmatamento pode agravar o quadro, uma projeção inédita indica que, caso a perda de floresta na Amazônia chegue a 45% até 2050, a descarga de rios tributários ao sul da bacia pode cair até 50%, enfraquecendo a pluma de água doce que hoje avança até mil quilômetros dentro do Atlântico.
No litoral do Amapá, comunidades ribeirinhas já sentem na pele o avanço do mar. Na praia do Goiabal, moradores relatam que as chamadas "marés lançantes" se tornaram mais frequentes a partir de 2013, destruindo casas e pousadas e provocando o êxodo de famílias. Hoje restam apenas sete núcleos familiares na localidade.
A apuração também mostra o projeto de ciência cidadã Observatório Popular do Mar (OMARA), que monitora a erosão costeira em 11 comunidades desde 2022, com apoio de pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA) e da Universidade Estadual do Amapá.
Um levantamento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) identificou 3.286 espécies na foz do Amazonas, das quais 67 estão ameaçadas de extinção, entre peixes cartilaginosos, peixes ósseos e aves marinhas. A cadeia da pesca, que segundo o estudo gera mais de 3.500 empregos diretos na região, já sente os efeitos da salinização e da mudança nos padrões de migração de espécies como a piramutaba e a pescada amarela.

A reportagem completa, com fotos, gráficos interativos e depoimentos de pescadores, pesquisadores e empresários do setor, está disponível no site da InfoAmazonia: https://infoamazonia.org/2026/09/17/atlantico-avanca-sobre-a-costa-e-muda-a-vida-na-foz-do-amazonas/
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