Petrobras inicia em janeiro perfuração de três novos poços na Foz do Amazonas
Novas perfurações na costa do Amapá vão ajudar a dimensionar a descoberta de petróleo e avaliar sua viabilidade comercial.
A Petrobras enviará, em janeiro, uma sonda de perfuração para a Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, para iniciar os trabalhos em três novos poços: Manga, Crotalus e Morpho Extensão, também chamado de PAD Morpho.
A informação foi divulgada pela diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi. Segundo a executiva, o poço principal da área, o Morpho, deve ser concluído em outubro.
Em setembro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a Petrobras a realizar as novas perfurações.
Os três poços são classificados como contingentes e serão utilizados de acordo com os resultados obtidos no poço principal. A Petrobras pretende obter informações mais precisas sobre o reservatório, delimitar a descoberta, estimar a quantidade de óleo e avaliar se uma eventual produção seria comercialmente viável.
Petrobras prevê US$ 2,5 bilhões para exploração na Margem Equatorial
A nova etapa de perfuração faz parte do Plano de Negócios 2026-2030 da Petrobras, que prevê investimentos de US$ 2,5 bilhões, cerca de R$ 12,85 bilhões, na perfuração de 15 poços na Margem Equatorial.
Segundo a estatal, o valor corresponde a 37,5% do total destinado à exploração no período.
A Margem Equatorial se estende pela faixa marítima que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte e é considerada pela Petrobras uma área importante para a expansão das atividades exploratórias.
Em agosto, a companhia anunciou a identificação de petróleo no Amapá, a aproximadamente 2.900 metros de profundidade. O resultado reforçou o interesse da Petrobras na região, considerada estratégica para a reposição de reservas diante da perspectiva de declínio da produção dos campos mais maduros do país.
Ibama autorizou novos poços após processo ambiental
A autorização para as novas perfurações ocorreu em setembro, depois de o Ibama analisar o projeto.
O processo envolve uma região considerada ambientalmente sensível. Entre os pontos de atenção estão o Grande Sistema de Recifes da Amazônia, formado por corais e esponjas, e a extensa faixa de manguezais no litoral do Amapá.
Entidades como Greenpeace e WWF-Brasil alertam para possíveis riscos da exploração de petróleo sobre esses ecossistemas.
O debate ambiental também envolve os possíveis impactos sobre comunidades tradicionais que vivem na região e dependem dos recursos naturais para atividades como a pesca artesanal.
Comunidades tradicionais acompanham exploração
Lideranças indígenas e representantes de comunidades tradicionais acompanham o avanço das atividades de exploração na costa do Amapá.
Entre as preocupações apresentadas estão possíveis impactos sobre a pesca artesanal, além de efeitos relacionados à atividade das embarcações utilizadas durante as operações.
Luene Karipuna, integrante da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP), destacou a relação entre as atividades tradicionais e os ciclos naturais da região.
“Nós temos calendários tradicionais que são norteados a partir da mudança do tempo. Quando é período de chuva, é um período de determinadas espécies de que a gente se alimenta. Quando é verão, são outras espécies, como aves, como peixes, que vêm da água salgada também, porque o nosso território é banhado pelas águas do oceano.”
Novos poços ainda não significam produção comercial
A autorização para as novas perfurações não representa, por si só, a liberação da produção comercial de petróleo.
Neste momento, a Petrobras ainda está na etapa de investigação da área. Os resultados obtidos no Morpho, juntamente com os dados dos poços Manga, Crotalus e Morpho Extensão, deverão ajudar a companhia a dimensionar a descoberta e avaliar seu potencial de produção.
A partir dessas informações, serão analisadas as condições técnicas, econômicas, ambientais e regulatórias para uma eventual etapa de produção.
Por enquanto, portanto, o projeto permanece na fase exploratória. A definição sobre uma possível produção comercial dependerá dos resultados obtidos nas próximas perfurações e das avaliações realizadas posteriormente.
Com informações do g1 e do Correio Braziliense.
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