Petrobras confirma petróleo na Foz do Amazonas e planeja bilhões em investimentos na Margem Equatorial
Estatal exibe amostra encontrada no bloco FZA-M-59 e destina parte significativa do orçamento de exploração à nova fronteira, enquanto aguarda liberação do Ibama para avançar.
A Petrobras confirmou oficialmente a existência de petróleo no bloco FZA-M-59, na bacia da Foz do Amazonas, após meses de expectativa em torno da descoberta. A presidente da estatal, Magda Chambriard, exibiu uma amostra do material durante visita à sonda de perfuração no litoral do Amapá, ao lado do presidente Lula, encerrando a fase de incerteza que antes só falava em "hidrocarbonetos" sem especificar o tipo de fluido encontrado. O poço Morpho, responsável pela descoberta, está localizado a 175 km da costa, em lâmina d'água de quase 2.900 metros — uma operação em águas ultraprofundas que exige tecnologia de ponta e investimentos elevados.
Com a confirmação, a companhia reforça a aposta na Margem Equatorial, faixa litorânea que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte e reúne cinco bacias sedimentares comparadas por especialistas às áreas produtoras da Guiana e do Suriname. Segundo o Plano de Negócios 2026-2030, serão destinados US$ 2,5 bilhões à perfuração de 15 poços na região, o equivalente a mais de um terço de todo o orçamento de exploração da Petrobras no período — projeções de mercado indicam que o total pode superar US$ 3 bilhões até 2028. A estratégia ganha peso adicional diante da expectativa de que a produção do pré-sal, hoje responsável por mais de 70% do petróleo nacional, comece a declinar a partir de 2030.
Apesar do otimismo, o avanço da exploração ainda depende da liberação do Ibama, que analisa informações complementares enviadas pela Petrobras em agosto e já negou licenças à companhia na região no passado, citando riscos a comunidades indígenas e ao bioma costeiro. Paralelamente, o tema ganhou contorno geopolítico depois que Lula sugeriu que a produção na Foz do Amazonas poderia ajudar a suprir o mercado global caso tensões entre Estados Unidos e Irã levem ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte internacional de petróleo. Especialistas ressaltam, no entanto, que a produção em escala comercial na região ainda deve levar anos para se concretizar.
Fonte: Baratão Combustíveis — https://usebaratao.com.br/petrobras-aposta-us-3-bi-na-nova-fronteira-do-petroleo/
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