Copa do Mundo deve injetar fôlego no varejo alimentar após meses de retração
Copa do Mundo deve injetar fôlego no varejo alimentar após meses de retração Pesquisa CNDL/SPC Brasil mostra que 70% dos brasileiros farão compras em supermercados para os jogos; alta no ticket médio das classes A/B pode chegar a R$ 784
70% dos consumidores planejam fazer compras em supermercados para assistir os jogos da Copa do Mundo com familiares e amigos. É o que diz os novos dados da pesquisa "Intenção de compras para a Copa do Mundo 2026", feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil.
Entre os itens que mais devem ser procurados pelos consumidores durante a competição estão os de consumo imediato e compartilhado. Para Leandro Rosadas, especialista em gestão de supermercados, esses itens possuem um ticket médio maior e passaram por uma baixa adesão nos últimos meses.
"Os consumidores estavam mais criteriosos em relação às suas compras de supermercados nos últimos meses. Era comum que montassem seus carrinhos com itens escolhidos por espontaneidade anos atrás, entretanto, agora vemos o público com um orçamento mais apertado, os produtos passaram a serem postos na lista de compras após uma análise estratégica. Como a Copa do Mundo é um grande momento para os brasileiros, onde festas, churrascos são marcados para assistir aos jogos juntos, os produtos mais caros voltam a ganhar um espaço", afirma o especialista.
Ainda de acordo com a pesquisa feita pela CNDL, a Copa do Mundo deve alavancar as vendas de itens tradicionalmente ligados à encontros entre os entes queridos. Isso porque, para 68% dos consumidores, as bebidas alcoólicas e não alcoólicas estarão em suas compras, entre elas estão refrigerantes, energéticos, sucos. Em sequência estão os petiscos (62%), itens para churrasco (60%) e cervejas (59%).
"Com a competição, o consumidor se vê mais disposto a gastar um pouco mais com itens festivos, apesar de ainda manter uma lista estratégica. Dessa forma, os lojistas devem se atentar no controle de estoque e na logística. É essencial disponibilizar, por exemplo, opções de bebidas alcoólicas, como cervejas, vinhos e drinks enlatados, além das suas versões zero álcool. Snacks e aperitivos de preparação rápida serão focos desse público também, sendo essencial disponibilizar um leque de opções ainda maior durante a Copa do Mundo", recomenda Leandro.
Não à toa, a pesquisa "Intenção de compras para a Copa do Mundo 2026", apontou que 44% dos consumidores afirmam que pretendem antecipar as compras de itens de comida, bebida e adereços em até uma semana antes dos jogos. A intenção é aproveitar promoções, evitar filas ou garantir a disponibilidade. Para Leandro, o dado reafirma o movimento já previsto, a demanda pode começar antes da véspera dos jogos, exigindo planejamento antecipado do varejo.
"O ideal é que supermercadistas levem em consideração a intenção do cliente. Pensando que buscam a disponibilidade e promoções, a criação de áreas temáticas, como o ‘cantinho do churrasco’ no açougue, além de destacar os produtos de consumo rápido, como batata chips, amendoins, pipocas de micro-ondas, já que são entradas versáteis e mais em conta, ainda atendendo o público que busca aproveitar a Copa do Mundo sem sair do orçamento", indica Rosadas.
A análise do impacto da competição também aponta que 40% dos brasileiros devem assistir aos jogos na casa de amigos ou familiares como local para acompanhar as partidas. O comportamento favorece diretamente supermercados e lojas de bairro, principalmente porque as reuniões favorecem ao consumidor de compras maiores e diversificadas. Prova disso, é o ticket médio maior, estima-se o salto de R$ 619 para R$ 784 entre consumidores das classes A e B.
"É uma ótima chance para o setor de varejo alimentar ter um aumento no faturamento, já que o consumo sofreu uma desaceleração marcada por juros elevados, endividamento de famílias e inflação de serviços. Estamos vindo de um período em que o orçamento enxuto estava moldando os carrinhos de compra dos brasileiros, é uma oportunidade para alavancar vendas de itens que estavam sendo evitados", finaliza Leandro.
*Sobre Leandro Rosadas (@leandrorosadas):
Leandro Rosadas é economista, escritor e especialista em gestão de supermercados, hortifrutis, atacarejos, padarias e açougues. Formado em economia pela UFRRJ, o carioca já atuou como professor universitário e consultor no mercado de varejo. Hoje, Rosadas é considerado uma das maiores referências entre os especialistas do seu segmento, sendo responsável pela formação em gestão de mais de 13 mil proprietários de supermercados Brasil afora. O especialista também é autor de 15 livros, entre eles "Luuuucro" e "Dobre os lucros do seu supermercado".
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