Entre gerações, o mesmo compromisso: cuidar de gente
No Dia do Servidor Público, celebrado nesta quarta-feira, 28, histórias de três profissionais do Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima revelam os desafios, os aprendizados e a dedicação de quem faz da saúde pública uma missão diária.
Trinta e três anos de serviço guardam muitas histórias. No Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima (Hcal), em Macapá, o agente administrativo Alessandro Moura acompanhou diferentes fases da saúde pública e construiu sua trajetória no atendimento à população. Perto da aposentadoria, ele carrega a experiência de quem conhece a rotina hospitalar e entende que servir exige paciência, responsabilidade e disposição para ajudar. “Mas no final tudo se resolve”, resume, ao falar dos desafios de orientar pacientes e acompanhantes na portaria da unidade.
A experiência também ensinou Alessandro a valorizar o acolhimento. Responsável técnico pela portaria, ele lida diariamente com pessoas que chegam ao hospital preocupadas com a saúde de familiares. É preciso orientar, explicar regras e manter o funcionamento do serviço, sem perder de vista a situação de quem busca atendimento. Depois de mais de três décadas, ele se prepara para encerrar esse ciclo levando consigo as lembranças de uma vida dedicada ao serviço público.
Para Isabele Gamboa, técnica de enfermagem que chegou ao Hcal em maio de 2026, a história está apenas começando. Recém-formada, ela encontrou no hospital um ambiente de aprendizado intenso e uma equipe disposta a compartilhar conhecimentos.
“Eu amo trabalhar aqui. Na rotina da clínica médica masculina, cada plantão representa, para mim, uma oportunidade de desenvolver habilidades e compreender, na prática, a responsabilidade de cuidar de pessoas em momentos de fragilidade”, revela.
O cuidado humanizado
Entre os episódios que mais a marcaram estão os cuidados com pacientes idosos em situação de abandono familiar. Isabele lembra a emoção de um paciente debilitado que agradeceu, chorando, pela ajuda recebida durante o banho. A experiência reforçou uma convicção que ela compartilha até com os estudantes em formação: “A gente escolhe estar aqui, a gente sai de casa, vem trabalhar, é só mais um dia de trabalho, o paciente não, ele simplesmente ele não escolheu estar aqui”. Para ela, a técnica precisa caminhar junto com a empatia.
Com 11 anos de experiência na enfermagem, Katiuscia Azevedo também conhece a intensidade da assistência hospitalar. Já trabalhou em unidades de urgência, no atendimento a pacientes com Covid-19 e no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Atualmente, atua na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) do Hcal, onde acompanha pessoas que enfrentam o câncer.
Para a profissional, acolher a dor do outro exige humanidade, mas também equilíbrio para continuar prestando um atendimento seguro e responsável. “Na nossa profissão, a gente deve ser solidário, mas nunca tomar pra si o sofrimento do paciente; não podemos somatizar as dores do outro, mas prestar a assistência de forma mais humanizada possível”, explica.
Na oncologia, Katiuscia encontrou um novo desafio: estar mais próxima dos pacientes, ouvir suas queixas e compreender suas angústias. Mesmo com a experiência acumulada, ela reconhece que cada ambiente de trabalho traz aprendizados próprios. “O desafio maior mesmo tá sendo aqui pra mim, tá sendo maravilhoso, maravilhoso mesmo. E assim eu vejo a qualidade do nosso atendimento aí, da nossa equipe”, afirma. Sua trajetória mostra que, na saúde, o tempo de serviço não elimina os desafios; amplia a capacidade de enfrentá-los.
O olhar de quem vive a saúde pública
Ao longo de seus 33 anos no Hcal, Alessandro também testemunhou mudanças na assistência oferecida à população. Ao avaliar o período iniciado em 2023, da atual gestão ele destaca iniciativas voltadas à ampliação do acesso e à redução das filas.
“Eu digo assim que foi um pai para a saúde, porque eu já peguei os outros governos, né? Não deram a mesma assistência que ele deu”, afirma, referindo-se ao governador Clécio Luís.
Entre os exemplos citados pelo servidor estão os atendimentos oftalmológicos e os programas Mais Saúde Vascular e Mais Visão, entre outros, como o Zera Fila. Katiuscia também reconhece melhorias na estrutura da saúde estadual, como o anexo do Hospital de Emergência de Macapá, que, segundo ela, além de representar a maior obra pública da saúde estadual, vai ajudar a desafogar a unidade.
As histórias de Alessandro, Isabele e Katiuscia representam diferentes gerações do serviço público. Um se aproxima da aposentadoria, outra inicia a carreira e a terceira segue acumulando experiências em uma área que exige preparo e sensibilidade. No , suas trajetórias lembram que, por trás de cada atendimento, existem profissionais que compartilham conhecimentos, enfrentam dificuldades e encontram no cuidado ao próximo a razão para continuar. São pessoas que fazem a saúde pública acontecer todos os dias.
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