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Unidades de conservação federais da Amazônia Legal registraram 111 km² de desmatamento em 2026, uma redução de 82% em relação ao pico de 2021. Foto: João Paulo Oliveira Gomes
Desmatamento em Unidades de Conservação federais da Amazônia atinge menor nível desde o início da série histórica
Por: Gov.br Dúvidas Frequentes em relação ao Portal gov.br -


Desmatamento em Unidades de Conservação federais da Amazônia atinge menor nível desde o início da série histórica

Dados do PRODES 2026 mostram a menor área desmatada da série histórica nas UCs federais da Amazônia Legal. ICMBio atribui os resultados ao trabalho técnico especializado, à fiscalização e às ações de proteção ambiental

desmatamento dentro das Unidades de Conservação (UCs) federais da Amazônia Legal atingiu, em 2026, o menor nível desde o início da série histórica, em 2008. Foram registrados 111 km² de área desmatada, uma redução de 17% em relação a 2025, quando o total foi de 134 km². Os dados foram elaborados pela Divisão de Monitoramento Geoespacial (DGEO) da Coordenação-Geral de Proteção (CGPRO) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com base no monitoramento do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (PRODES), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

O resultado ocorre em um contexto de redução ainda mais expressiva na Amazônia Legal como um todo. O desmatamento na região caiu 41,81% em 2026, chegando a 3.335 km², a menor taxa da série histórica do PRODES, iniciada em 1988. Do total desmatado na Amazônia Legal neste ano, 3,3% ocorreram dentro de unidades de conservação federais.

Para o presidente do ICMBio, Mauro Pires, os resultados reforçam a importância das unidades de conservação não apenas para a proteção da biodiversidade, mas também para a segurança das populações e a preservação do patrimônio natural.

"Isso significa que o nosso país tem, nas unidades de conservação, um polo de conservação propriamente, mas também um polo de proteção da vida. Quanto mais unidades de conservação, mais a vida das pessoas está protegida. Significa também que ativos econômicos e o nosso patrimônio ficam resguardados para as próximas gerações", afirma o presidente do ICMBio, Mauro Pires. 

A área desmatada dentro das unidades de conservação federais da Amazônia Legal caiu 82% entre 2021 – ano com o maior registro da série histórica, quando foram contabilizados 618 km² – e 2026, quando o total foi de 111 km².

Segundo Ricardo Brochado, coordenador-geral de Proteção (CGPro) do ICMBio, os dados evidenciam uma reversão da tendência de crescimento observada. “Entre 2019 e 2022, houve um crescimento expressivo do desmatamento e, a partir de 2023, uma redução gigantesca”, informa.

Para o coordenador, os resultados refletem um esforço acumulado ao longo dos anos, baseado em conhecimento técnico especializado, identificação das áreas mais pressionadas e organização de operações de fiscalização, tanto remotas quanto em campo. Essas ações permitem direcionar a atuação do Instituto para os locais com maiores índices de desmatamento e atuar sobre as atividades que provocam a perda de vegetação.

Desmatamento nas unidades de conservação federais da Amazônia Legal entre 2008 e 2026, segundo dados do PRODES/INPE
Desmatamento nas unidades de conservação federais da Amazônia Legal entre 2008 e 2026, segundo dados do PRODES/INPE

Trabalho técnico e políticas públicas ambientais

A sequência de reduções mostra a influência de políticas públicas ambientais contínuas. Brochado também destaca a importância de garantir condições institucionais para que os servidores públicos possam exercer suas atribuições com autonomia técnica.

“Os resultados foram alcançados com trabalho técnico muito importante, com liberdade de trabalho, condições mínimas de trabalho e liberdade para fazer o que a gente tem que fazer por ofício, como servidores públicos que trabalham com essa agenda”, conta.

Os dados do PRODES são instrumentos fundamentais para o planejamento estratégico e a tomada de decisões na gestão das unidades de conservação federais. Ao identificar as áreas com maior pressão de desmatamento e acompanhar a evolução dos índices ao longo dos anos, o monitoramento contribui para direcionar ações de proteção e fortalecer a conservação da biodiversidade.

Segundo Ricardo, os resultados recentes demonstram a relevância da manutenção da capacidade de fiscalização e da autonomia técnica dos servidores públicos responsáveis pela agenda ambiental.

“Temos conseguido resultados muito significativos e uma redução extremamente importante nesses últimos quatro anos, como mostram os dados, de maneira muito clara”, destaca.

O ICMBio gerencia cerca de 150 unidades de conservação federais na Amazônia. Foto: Mônia Fernandes/ICMBio
O ICMBio gerencia cerca de 150 unidades de conservação federais na Amazônia. Foto: Mônia Fernandes/ICMBio
Dentre as unidades gerencidas estão as Reservas Extrativistas de uso sustentável. Foto: Acervo/Resex Verde para Sempre (PA)
Dentre as unidades gerencidas estão as Reservas Extrativistas de uso sustentável. Foto: Acervo/Resex Verde para Sempre (PA)

Desmatamento nas UCs federais da Amazônia

O desmatamento registrado em 2026 permaneceu concentrado em um grupo restrito de unidades de conservação federais da Amazônia. Segundo dados do PRODES, cinco áreas responderam por 69% de toda a área desmatada dentro das UCs federais do bioma, evidenciando que, apesar da redução histórica, algumas unidades continuam sob forte pressão.

A Floresta Nacional (Flona) de Altamira, no Pará, registrou a maior área desmatada, com 27,8 km². Em seguida, aparecem a Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, com 16,2 km²; a Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, com 15,2 km²; a Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, com 12,1 km²; e o Parque Nacional do Juruena, entre Mato Grosso e Amazonas, com 5,4 km². Juntas, essas cinco unidades somaram 76 km² de área desmatada.

O ICMBio gerencia cerca de 150 unidades de conservação federais na Amazônia, que protegem mais de 64 milhões de hectares. Os dados de monitoramento permitem identificar as áreas sob maior pressão e orientar o planejamento das ações de proteção, contribuindo para direcionar os esforços de fiscalização e gestão.

Cerrado também registra redução nas UCs federais em 2026

No Cerrado, onde as unidades de conservação federais protegem cerca de 6,25 milhões de hectares, o desmatamento dentro das UCs federais também diminuiu em 2026. Foram registrados 47 km² em 29 unidades, uma redução de 8% em relação aos 51 km² contabilizados em 2025. O resultado faz parte da série anual de monitoramento do PRODES, iniciada em 2013 para o bioma.

Já no Cerrado como um todo, foram desmatados 5.517 km² em 2026, uma redução de 23,75% em relação ao ano anterior. A área desmatada dentro das UCs federais corresponde a 0,9% do total registrado no bioma.

As cinco unidades com maiores áreas desmatadas foram a APA Serra da Ibiapaba, com 23,99 km²; a APA Cavernas do Peruaçu, com 5,77 km²; a APA das Nascentes do Rio Vermelho, com 4,64 km²; a APA do Planalto Central, com 4,33 km²; e a APA Delta do Parnaíba, com 3,97 km². Juntas, elas concentraram 71% do desmatamento registrado dentro das unidades de conservação federais do Cerrado.



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