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Dia da Amazônia: como o agro vai provar a origem dos alimentos e garantir vendas para a Europa?
Por: Priscilla Poubel Moreira -


Dia da Amazônia: como o agro vai provar a origem dos alimentos e garantir vendas para a Europa?

Com novas regras internacionais, fazendas brasileiras usam tecnologia e auditorias para comprovar desmatamento zero e manter o país como grande exportador mundial.

Atualmente, o setor agropecuário brasileiro direciona sua atenção para a validação da origem sustentável de suas commodities. Com a aplicação do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), produtos como soja, carne bovina, café, cacau, borracha e madeira precisam comprovar que foram produzidos em áreas sem desmatamento. O bloco europeu responde por cerca de um terço das exportações desses itens do Brasil, totalizando um volume sob exigência de conformidade direta.

“Hoje, o produtor brasileiro se encontra em diferentes níveis de preparação para atender às exigências de rastreabilidade, e não podemos tratar o setor agropecuário como homogêneo nesse aspecto. Estudos da Climate Policy Initiative (CPI) apontam que os investimentos em adequação de processos, georreferenciamento e certificação pelo setor produtivo no país podem alcançar US$ 17,5 bilhões por ano”, explica Lucas Sapatini, professor de Agronegócio da EAD UniCesumar.

Nesse cenário, o gargalo deixa de ser apenas a adoção de boas práticas no campo e passa a ser a capacidade de comprovação auditável da produção. Para garantir que as exigências internacionais não se convertam em barreiras comerciais ou perda de lucratividade, o setor acelera a implementação de ferramentas capazes de vincular cada lote exportado à exata coordenada de sua lavoura.

Tecnologia aplicada e triangulação de dados

A verificação temporal e espacial é realizada por meio de sensoriamento remoto, que utiliza satélites como CBERS-04, CBERS-04A e Amazônia-1 para gerar índices de vegetação (como NDVI) e mapear o histórico de uso do solo. Drones com sensores de alta resolução complementam a checagem em nível de propriedade, integrando a geolocalização ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a sistemas públicos de rastreabilidade, como a plataforma Agro Brasil + Sustentável.

"Grandes produtores, principalmente em cadeias mais estruturadas, como soja, café e pecuária, já apresentam avanços importantes em rastreabilidade e gestão das propriedades. Por outro lado, muitos pequenos e médios produtores ainda precisam se adaptar, principalmente em relação à organização documental, geolocalização das áreas e comprovação da origem da produção”, afirma o docente da UniCesumar.

Sapatini complementa que o satélite fornece a evidência espacial e temporal da área de cultivo, enquanto os sistemas comerciais conectam a origem ao lote transportado até o porto. "O CAR é uma base fundamental porque reúne informações georreferenciadas do imóvel rural. O primeiro passo é integrar essas informações com imagens de satélite e dados de sensoriamento remoto. A auditoria independente entra como uma terceira camada de verificação. Essa triangulação aumenta a confiabilidade, permite identificar inconsistências antes que elas cheguem ao mercado internacional e dá maior transparência à origem da commodity.

Impacto financeiro e acesso a mercados

Além da conformidade para evitar restrições de embarque e prejuízos operacionais, a comprovação auditável de ausência de desmatamento tem gerado prêmios de valor no mercado internacional. Segundo dados de entidades certificadoras como a RTRS e a Organização Internacional do Café (ICO), a comprovação auditável de ausência de desmatamento tem gerado prêmios financeiros: a soja com certificação ambiental chega a obter acréscimos entre US$ 2 e US$ 5 por tonelada, enquanto lotes de café certificados registram valorização de até 20% em relação às cotações convencionais.

"Sustentabilidade não significa necessariamente receber um preço maior pelo produto no primeiro momento, pois atender a essas exigências representa um custo de adequação para o produtor e para a cadeia. Porém, no longo prazo, a rastreabilidade, a certificação e a comprovação de produção livre de desmatamento podem se transformar em vantagem competitiva, reduzindo o risco comercial e garantindo espaço em mercados mais exigentes. O objetivo não deveria ser apenas cumprir uma regulamentação, mas transformar conformidade em valor agregado", conclui Lucas Sapatini.

Sobre a UniCesumar

Com mais de 35 anos no mercado educacional e desde 2022 como uma das marcas integradas ao grupo Vitru Educação, a UniCesumar conta com uma comunidade de cerca de 500 mil alunos. Atualmente, possui uma robusta estrutura de Educação a Distância (EAD), com mais de 1,3 mil polos espalhados por todas as regiões do país, além de três unidades internacionais, localizadas em Dubai (Emirados Árabes) e Genebra (Suíça). No ensino presencial, destaca-se o curso de Medicina, oferecido nos campi de Maringá (PR) e Corumbá (MS), juntamente a outros três campi, localizados em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa (PR). Como um dos dez maiores grupos educacionais privados do Brasil, a UniCesumar oferece portfólio diversificado, com 350 cursos, abrangendo graduação, pós-graduação, técnicos, profissionalizantes, mestrado e doutorado. Sua missão é promover o acesso à educação de qualidade e contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional de seus alunos, preparando-os para os desafios do mercado de trabalho.



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