O Retorno de Paulina
A súbita dor de Paulina perfez...
Ela rompeu o segredo que tanto a atormentava e repartiu seu pecado com uma espécie de guru — alguém que ela conheceu quando ainda carregava sorrisos na alma.
Paulina, sem exagerar, confessou sua triste história de vida, construída sobre um romance imaginário que só lhe subtraiu os anos. E, mesmo sem desistir, a verdade veio à tona — sem máscaras e sem dó: seu amor a havia esquecido.
Nada mais, nesta existência, seria tão devastador — pensou.
Mas a verdade foi se revelando cada vez mais inteira e serena. Após o susto da perda, ela percebeu que ali, exatamente naquele instante de luto pelo afeto exausto, seus melhores dias talvez ainda estivessem por vir...
Assim como uma borboleta em novas asas, Paulina passou a amar-se muito mais do que antes.
Ela se deu o maior presente: o autorrespeito.
E seguiu seu caminho, dia após dia, colhendo o melhor das veredas por onde andava, viajando em trens sem passado, descendo em paradas que ela mesma escolheu.
Libertando-se de todas as amarras inventadas por outros, criou para si os próprios princípios — e os cultivou com todo o cuidado que já sabia.
Um dia, depois de longos anos, Paulina se foi.
Sua partida foi sossegada — e ela nem sentiu saudade, naquele instante, daqui.
Retirou-se como quem desperta para um cosmo superno, onde sua vivência apenas se iniciava.













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