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Percival Farquhar já foi dono do Amapá — e devolveu a terra porque achou que ela não valia grande coisa

Percival Farquhar já foi dono do Amapá — e devolveu a terra porque achou que ela não valia grande coisa


Imagine receber a posse de uma área maior que muitos países europeus e simplesmente abrir mão dela. Parece improvável, mas essa é uma das histórias mais curiosas da formação do Amapá.

No início do século XX, o empresário norte-americano Percival Farquhar, considerado um dos homens mais ricos do mundo à época, acumulava concessões ferroviárias, portuárias e minerais por toda a América Latina. Em meio aos seus negócios, acabou adquirindo vastas áreas de terras no então extremo norte brasileiro.

A região era isolada, de difícil acesso e distante dos grandes centros econômicos. Sem enxergar potencial imediato para exploração econômica, Farquhar teria desistido do empreendimento e devolvido as terras. O que para ele parecia um investimento sem futuro, décadas depois se revelaria uma das regiões mais estratégicas da Amazônia brasileira, rica em biodiversidade, recursos minerais e importância geopolítica.

A história é apenas uma entre dezenas de episódios surpreendentes que ajudam a explicar por que o Amapá é muito mais fascinante do que normalmente aparece nos livros escolares.

Livro reúne histórias esquecidas do extremo norte do Brasil

Essas e muitas outras narrativas estarão reunidas em As Histórias da História do Amapá, obra do jornalista e escritor Renivaldo Costa, publicada pelo Conselho Editorial do Senado Federal e que terá lançamento oficial no próximo dia 26 de junho.

O livro resgata episódios pouco conhecidos da formação do estado, misturando pesquisa histórica, memória coletiva e relatos que sobreviveram à margem dos registros oficiais. A obra apresenta um Amapá marcado por disputas internacionais, personagens singulares, experiências políticas inusitadas e acontecimentos que, muitas vezes, parecem ficção, mas são rigorosamente baseados em fatos históricos.

Entre as histórias reunidas estão a curiosa República do Cunani, um país criado em salões parisienses; o Contestado Franco-Brasileiro, que definiu as fronteiras do Brasil ao norte; a tentativa de colonização nazista na região do Jari; a tragédia da Colônia Penal de Clevelândia do Norte; além de personagens marcantes da vida política, cultural e social amapaense.

Segundo o autor, a proposta da obra é fazer com que o Brasil conheça melhor o Amapá, a Terra Onde o Brasil Começa, reunindo memórias, curiosidades e acontecimentos que ajudam a compreender não apenas a história amapaense, mas também a própria formação do país.

Publicado como o volume 369 das Edições do Senado Federal, o livro possui 144 páginas e reúne relatos e memórias que não costumam aparecer nos manuais tradicionais de história.

Serviço

Lançamento do livro: As Histórias da História do Amapá
Autor: Renivaldo Costa
Data: 26 de junho de 2026, às 19h, no Di Vetro
Publicação: Conselho Editorial do Senado Federal
Tema: Relatos e memórias que não estão nos livros oficiais sobre a história do Amapá.


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Articulista/Colunista

Renivaldo Costa

Jornalista (Reg. Prof. 018/04) e sociólogo (Reg. Prof. 048/10).

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