A consolidação do modelo "As a Service" nos grandes bancos privados do Brasil
Ao se consolidar o modelo "As a Service" nos grandes bancos privados do Brasil, especialmente o Banking as a Service (BaaS), o Credit as a Service (CaaS) e o Lending as a Service (LaaS), o setor de embedded finance passa por uma mudança profunda. Segundo projeções globais da consultoria McKinsey & Company, esse mercado deve ultrapassar a marca de centenas de bilhões de dólares em receitas, impulsionado pelo Open Finance. Nesse novo cenário, as instituições, antes muito focadas apenas no cliente final, agora também vendem sua infraestrutura regulada via APIs, permitindo que varejistas, ERPs e fintechs ofereçam serviços financeiros integrados.
Uma das principais transformações que esse novo estilo traz é na nova regulamentação de todo o processo. Assim, o Banco Central do Brasil estabeleceu marcos normativos claros para definir responsabilidades e elevar os padrões de governança em toda a área. As maiores empresas ganham novos canais de distribuição de crédito e captação sem precisar gastar tanto com aquisição direta de clientes. Além disso, aquelas que não são financeiras passam a poder inserir contas, cartões e Pix diretamente em suas plataformas de consumo de forma fluida.
Quando se fala da iniciativa privada, o impacto do "As a Service" atinge diretamente a monetização de API, transformando ativos de tecnologia internos em novas fontes de receita recorrente. A segurança e o compliance também são diretamente beneficiados, uma vez que o banco entra com a licença regulada e o controle de riscos, enquanto o parceiro cuida da interface com o usuário. Dessa forma, enquanto grandes players do setor estruturam suas ofertas para atender ecossistemas corporativos complexos, a inovação acelera na ponta. Assim, as empresas passam a atuar como a engenharia que conecta a solidez e a licença de um banco S1 aos fluxos de grandes empresas.
Em conclusão, a maturidade do modelo "As a Service" redefine de forma definitiva as fronteiras entre o mercado financeiro e a economia real. As empresas que souberem integrar serviços financeiros de forma invisível, personalizada e totalmente em conformidade regulatória não apenas otimizarão suas margens, mas também assumirão o protagonismo da nova era do consumo digital.
*Ticiana Amorim é CEO e fundadora na Aarin, a techfin do Grupo Bradesco. Comunicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia, fundou a Aarin após o exit como sócia da ZigPay, a maior fintech do mundo. É reconhecida como uma das principais vozes femininas em Embedded Finance no Brasil.
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