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Rio Arrojado, Correntina (Bahia) - Foto: Fellipe Abreu/Acervo ISPN
Cerrado é coração das águas e precisa estar no centro da COP30
Por: Redação -


Cerrado é coração das águas e precisa estar no centro da COP30

Savana brasileira já perdeu 40 milhões de hectares e responde por mais da metade do desmatamento do país. Sem ela, não há Amazônia nem segurança hídrica.

Conhecido como o coração das águas, o Cerrado abriga as nascentes de oito das doze maiores bacias hidrográficas da América do Sul, como São Francisco, Tocantins-Araguaia, Xingu e Paraguai. É dele que fluem os rios que alimentam a Amazônia, o Pantanal, a Caatinga e a Mata Atlântica. Ainda assim, essa savana única já perdeu 40 milhões de hectares de vegetação nativa em quatro décadas, segundo a Rede MapBiomas, e hoje responde por mais da metade do desmatamento registrado no Brasil.

“Às vésperas da COP30, em Belém, não haverá justiça climática se o Cerrado continuar invisível. Apesar de ocupar quase um quarto do território nacional e ser decisivo para a segurança hídrica, essa savana permanece fora do centro das negociações internacionais sobre clima”, afirma Isabel Figueiredo, coordenadora do Programa Cerrado do Instituto Sociedade População e Natureza ( ISPN.)

Estudo publicado na revista Sustainability — “Cerrado Deforestation and Its Impacts on Water Security and Biodiversity” — estima que já foi perdido cerca de 50% da vegetação nativa original, reduzindo a capacidade do ecossistema de regular o clima e sustentar a biodiversidade. Projeções indicam que, se nada mudar, a vazão dos rios pode cair até 35% até 2050, ampliando o risco de escassez de água, crises energéticas e perdas na produção de alimentos.

Apesar dessa relevância, o Cerrado é o bioma menos protegido por leis e políticas públicas. De mais de 30 mil projetos em tramitação no Congresso, apenas oito tratam de sua conservação. “Essa região é vital não só para quem vive nela, mas para todos os brasileiros. Sem Cerrado, não há Amazônia, não há segurança hídrica nem climática”, diz Isabel.

Cultura e ciência em defesa do Cerrado

Para ampliar a visibilidade desse território, o ISPN lançou a série de documentários “Cerrado, Coração das Águas”, disponível no YouTube. Os filmes revelam, pela voz de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, como a savana conecta biomas e abastece rios vitais e como o avanço do desmatamento ameaça modos de vida que historicamente protegem a natureza.

Foto: Guilherme Bays /Acervo ISPN


A campanha também inclui o site cerrado.org.br, materiais de sensibilização e intervenções culturais em Brasília e na Chapada dos Veadeiros (GO).

Na capital federal, as ruas ganharam arte e poesia para reforçar a mensagem. Cartazes de lambe-lambe foram colados em pontos estratégicos de Brasília, lembrando que “sem Cerrado não há água, e sem conservação não há soberania”. Já na noite do Dia do Cerrado, o Coletivo Transverso realizou uma performance de “bazuca poética” no XI Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, projetando frases em grande escala e transformando o espaço urbano em palco para destacar a valorização dos povos e a urgência de conservar a savana.

Foto: Guilherme Bays /Acervo ISPN

“Amazônia e Cerrado são ecossistemas interdependentes. Se um cai, o outro cai junto. É fundamental que os dois estejam integrados nas políticas de mitigação e adaptação climática”, afirma Isabel.

O Cerrado em números

  • 40 milhões de hectares de vegetação nativa perdidos desde 1985.
  • Já responde por mais da metade do desmatamento do país.
  • Ocupa 23% do território nacional.
  • É a savana mais biodiversa do mundo, com mais de 12 mil espécies.
  • Oito das doze maiores bacias da América do Sul nascem nesse território.
  • Projeções indicam até 35% de redução na vazão dos rios até 2050.
  • Apenas oito projetos de lei no Congresso tratam da sua proteção.
  • Cerrado e Amazônia responderam juntos por 83% do desmatamento nacional em 2024.
  • Estudo internacional (Sustainability, 2023) confirma perda de ~50% da vegetação original.

Sobre o ISPN

O Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) é uma organização da sociedade civil fundada em 1990 que atua pelo fortalecimento de meios de vida sustentáveis, a conservação da natureza e o enfrentamento das desigualdades sociais. Apoia povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, valorizando saberes locais e promovendo inclusão socioprodutiva. Com foco nos biomas Cerrado, Amazônia e Caatinga, o ISPN coordena programas de referência como o PPP-ECOS, hoje Fundo ECOS, em parceria com o PNUD/ONU. Suas ações dialogam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, ampliando a participação social e a incidência em políticas públicas. Mais informações: www.ispn.org.br



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