Engano
Passei por ti; não me viste —
não me olhaste, então foste embora...
Passei por ti porque quis mostrar-te
os meus caminhos afora.
Vi teus olhos perdidos no chão de outono,
mudos em teus passos mansos.
Não ousei seguir-te.
Admirou-me a tua direção:
para onde ias?
Encontrei-me entre as árvores altas
do parque da cidade,
e tu já não estavas mais lá...
Percebi, então,
que tudo fora um sonho:
tu nunca exististe —
somente em meu encanto.
E aquelas horas perdidas
foram somente engano.













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