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Romeu e Julieta: Um Baile de Máscara na Fortaleza de São José.

Romeu e Julieta: Um Baile de Máscara na Fortaleza de São José.


Escrita por William Shakespeare no final do século XVI, Romeu e Julieta é a tragédia romântica mais famosa da literatura mundial. As famílias Montéquio (de Romeu) e Capuleto (de Julieta) vivem em guerra constante, perturbando a paz de Verona. A saga tem seu inicio em um baile de máscaras na casa dos Capuleto, quando Romeu ao ver Julieta, se apaixona instantaneamente, e daí, a história começa a ser escrita e caminhando para um final trágico.

Numa analogia, no grande salão da política amapaense, os convidados se dividem em dois grupos: os que estão do lado do maior gestor, sempre prontos para um bom "bate-boca" com seus discursos inflamados, e os do menor gestor, que preferem um "samba do criolo doido", onde todos dançam, mas ninguém sabe a letra.

Enquanto um grupo faz fila para o buffet do "desenvolvimento econômico", os do outro grupo se deliciam com a sobremesa das "festividades do século XXI". E assim, a polarização se torna um espetáculo digno de uma peça shakespeareana, onde os cordéis são puxados por interesses obscuros, sem ao menos sabermos quem representa o “Romeu”, ou quem é a “Julieta”.

Os debates? Ah, esses são verdadeiros shows de comédia! Um joga a culpa no outro como se fosse uma peteca empenada, e o público, em vez de rir, aplaude fervorosamente. "Olhem, o político X disse que o político Y é ladrão!". O outro responde, “eles é que são ladrões”. E todos se levantam em uníssono “eita”, como se estivessem esperando o próximo capítulo do livro clássico da vida real.

Enquanto isso, as redes sociais fervilham. Os memes se multiplicam como coelhos, e cada grupo tenta provar que o outro é o responsável por todos os males do município ou do estado. A verdade? Essa ficou perdida em meio a tantas hashtags e a ignorância da turba.

E o povo? Ah, o povo continua a dançar, mesmo sabendo que, no final, todos os políticos vão para a mesma festa e no mesmo salão: a do poder e do dinheiro. Em vez de buscarem soluções, preferem manter a dança da polarização, onde a música nunca para e a realidade se torna um mero detalhe, enfim, um verdadeiro bazar que se vende a ideia de “pague 1 e leve 2” com múltiplas promessas vazias que ao fim, se tornam sanduiches de desilusões recheadas de maionese e de “blá-blá-blás”.

Se formos intersecionar o cenário eleitoral da política amapaense com o enredo do livro de Shakespeare, temos muitas coisas em comuns, porém, o final trágico que o casal apaixonado sofre, onde os dois, e somente eles, pagam por sofrer o preço do carma, se torna diferente da realidade da política amapaense, isso pela presença de uma terceira em discórdia, que é: A PLATÉIA.

O final feliz entre Romeu e Julieta é impossível no romance, no entanto, no caso político amapaense, e justamente nisso, esse final muda o tom, até porque, os adversários vão se digladiar e não sofrerão o mesmo destino daquele casal. Isso porque, a briga entre eles é somente apenas para saber quem, afinal, vai controlar o orçamento da festa, e, os dois grupos, exigem e ao garçon que cobre a fatura total da grande festa para a terceira personagem da tragédia anunciada: VOCÊ, o pagador de impostos.


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Articulista/Colunista

Jefferson Fassi

Jornalista

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