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OS TESTES DE QUALIDADE

OS TESTES DE QUALIDADE


A qualidade faz parte do conjunto de aspectos das tecnologias que precisam ser testados e retestados continuamente, até que o protótipo possa ser considerado aprovado. Isso significa que todas as tecnologias precisam, obrigatoriamente, passar pelos testes de qualidade por uma razão muito simples: são eles que vão aferir, inicialmente, se a tecnologia está ou não em conformidade com aquilo que dela se espera.

A qualidade, portanto, pode ser definida como a adequação a determinados aspectos previamente conhecidos e estabelecidos. A primeira conformidade diz respeito às necessidades e expectativas dos indivíduos e das organizações que compõem o público-alvo.

Conhecer essas necessidades e expectativas, bem como suas respectivas categorias de análise, é fundamental para evitar o erro comum de imaginar que a equipe de cientistas responsável pela criação da tecnologia sabe o que o público-alvo deseja. A qualidade trata de aspectos bem definidos. No caso dos textos de uma cartilha digital para crianças, por exemplo, devem ser avaliados o tamanho das fontes, as cores, o espaçamento entre as linhas, a distância entre as palavras, entre outros elementos.

A segunda consideração refere-se à natureza dos testes de qualidade. Muitas pessoas imaginam, erroneamente, que a qualidade é algo que não pode ser traduzido em números ou que não possui relação com a quantificação. Ocorre justamente o contrário: é necessário que haja quantificação para que o resultado obtido possa ser comparado com determinado padrão.

Por exemplo, quando o tamanho da fonte de um texto deve variar entre 14 e 18, esses dois números expressam, respectivamente, os limites inferior e superior da qualidade esperada para esse quesito. É preciso realizar a mensuração, isto é, verificar o tamanho da fonte utilizada no protótipo e comparar o resultado com o padrão estabelecido.

Caso o tamanho esteja abaixo de 14 ou acima de 18, estará em desconformidade. Caso esteja dentro desse intervalo, estará em conformidade. Estar ou não em conformidade com o padrão é a maneira pela qual os cientistas avaliam a qualidade. Dessa forma, ter qualidade significa estar dentro dos padrões previamente definidos.

Os testes de qualidade dos protótipos procuram avaliar o grau de conformidade, por exemplo, com características físicas, químicas, biológicas e sensoriais definidas em lei ou esperadas pelo público-alvo. Muitos dos atributos que uma tecnologia deve apresentar são especificados por lei, principalmente quando ela pode causar danos às pessoas, aos animais ou ao meio ambiente.

Os testes de qualidade verificam se a futura tecnologia atende aos padrões estabelecidos. Cada padrão geralmente recebe um nome genérico, denominado pelos cientistas de dimensão analítica, que representa um conjunto de testes menores, chamados de categorias analíticas. Os resultados de cada teste que compõe uma dimensão vão gerar o resultado final dessa dimensão.

Pode-se tomar como exemplo a dimensão analítica “durabilidade” no teste de qualidade de um protótipo. Ela pode ser medida por meio dos testes de “operação sob umidade”, “operação sob calor extremo”, “operação sob frio extremo”, “tempo de operação” e “quantidade de operações”.

Cada um desses cinco testes deve apresentar um padrão que indique os resultados necessários para aferir a qualidade da durabilidade. O resultado será apresentado pelas palavras “conformidade” ou “desconformidade”. Embora esse resultado expresse uma qualidade, ele é consequência de uma mensuração, ou seja, da obtenção de um número que será comparado com outro.

O que os testes de qualidade medem, de maneira específica? Eles medem as características e os atributos do protótipo. Da mesma forma que o tamanho das letras de uma cartilha digital é uma característica desse produto tecnológico, o alcance de um sinal de radiofrequência também é, assim como a proporção entre o total de alunos aprovados e o total de alunos de uma turma.

Como a quantidade e os tipos de características existentes são praticamente impossíveis de listar, os atributos de qualidade devem ser definidos de acordo com as necessidades e expectativas do público-alvo, formado por clientes, consumidores e usuários.

Também devem ser considerados outros aspectos fundamentais, como as formas de apresentação, a funcionalidade e a acessibilidade do protótipo, sem deixar de lado os fatores mercadológicos e logísticos. Tudo isso faz parte do conjunto de características de qualidade que podem ou não ser incorporadas aos testes relativos a determinado protótipo.

Uma forma interessante de identificar os atributos de qualidade de um protótipo é elaborar uma lista de tudo o que afeta a capacidade do artefato de atender à necessidade para a qual foi planejado.

Nessa lista, podem ser incluídos diversos tipos de atributos, como condição física, função, durabilidade, confiabilidade, desempenho, adequação, possibilidade de reparo, precisão, estética, facilidade de uso, vantagens e desvantagens em relação aos concorrentes, preço de aquisição, preço de venda, custo unitário, custo variável, número de defeitos por milhão e tempo máximo de resposta às demandas dos clientes, entre outros.

Essa lista pode ser muito extensa, mas todo protótipo deve possuir a sua, pois não existe tecnologia que não apresente aspectos capazes de afetar sua qualidade. Desse modo, quando uma tecnologia é colocada no mercado ou transferida para o cliente sem a devida aferição de qualidade, é provável que ocorram problemas futuros.

Do ponto de vista técnico da geração tecnológica, uma tecnologia que ainda não passou por testes de qualidade continua sendo um protótipo.

Infelizmente, os testes de qualidade ainda não fazem parte do cotidiano de muitas equipes que produzem tecnologias nos ambientes acadêmicos. Isso talvez explique o elevado número de protótipos que fracassam ainda dentro dos laboratórios, servindo, no máximo, para a obtenção de notas relacionadas ao desempenho escolar.

Quando compreendidos e realizados adequadamente, os testes de qualidade proporcionam a possibilidade extraordinária de ir além das obrigações acadêmicas e entrar nos caminhos desafiadores do mercado. Caso a tecnologia seja bem-sucedida, ela poderá gerar lucros e vantagens de diversas formas.

Afinal, de que outra maneira os inventores poderiam ter a garantia de que suas invenções realmente servem à finalidade para a qual foram planejadas?


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Articulista/Colunista

Dr. Daniel Nascimento e Silva

PhD, Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

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