• Macapá-AP, Domingo, 30 de novembro de 2025.

Leia o Artigo

  • Home
  • Leia o Artigo

PROTOTIPAGEM E CAPITAL HUMANO


O capital humano tem sido um dos grandes desafios de toda equipe que tem a missão de produzir algum tipo de tecnologia. O significado do termo capital diz respeito à capacidade de geração de benefícios, de maneira que capital humano significa a potencialidade efetiva que um indivíduo tem de gerar algum tipo de benefício para outrem. Disso decorre que o capital humano tem uma nítida preocupação com a alteridade, com o outro, sem se esquecer, naturalmente, do ego, dos benefícios que o indivíduo precisa gerar para si mesmo.

Imbuída também no conceito está a concepção de que os benefícios auferidos pelo indivíduo que tem capital humano se apresentam antes, durante e após a entrega das benfeitorias para o outro. Isso tudo mostra que “capital humano” nada tem a ver com a ideia preconceituosa de transformação das pessoas em objetos, coisas, escravas dos outros. Pelo contrário, designa uma forte e amorosa vontade de dar o melhor de si para solucionar problemas e suprir necessidades dos outros. Nesse esforço, o indivíduo aprende mais, desenvolve sua capacidade de realização e, acima de tudo, aufere os lucros de todas as formas que a entrega é capaz de proporcionar. Vejamos os fundamentos de por que o capital humano é fundamental para todos os estágios da prototipagem.

O capital humano é, do ponto de vista científico, prático e de engenharia, uma função que tem como variáveis independentes habilidades, conhecimentos, know-how, know-what, talento, experiência, comportamentos e valores sintonizados com a inovação, traduzidos como f(CH) = h + c + kh + kw + e + com + v. As habilidades são a destreza que as pessoas têm para fazer coisas. Elas são visualizadas através do manuseio de máquinas, ferramentas, cálculos, elaboração de esquemas, programação, criação de algoritmos e outras atividades que exigem inúmeros exercícios repetitivos prévios. Uma pessoa tem capital humano quando consegue fazer. Por incrível que pareça, tem sido cada vez mais difícil encontrar pessoas que saibam fazer as coisas para as quais foram “formadas”, de forma que muitos médicos não sabem medicar, advogados não sabem advogar, professores de português não sabem escrever e matemáticos não sabem calcular, dentre inúmeros outros exemplos. Habilidade é fazer bem-feito.

Os conhecimentos são informações acerca do comportamento de alguma coisa, tomadas em quatro dimensões ou etapas: a) saber como algo funciona; b) saber manusear e demonstrar a lógica funcional da coisa que se conhece; c) saber fazer alguma coisa com a lógica funcional que se conhece; e d) ser capaz de disponibilizar a produção para outros. Note que o conhecimento é uma somatória de saberes mais a disposição de compartilhamento daquilo que se produz. Quem só sabe que uma equação é composta de duas partes — uma com a variável dependente e outra com a variável independente — não tem conhecimento matemático, da mesma forma que aquele que sabe resolver equação de primeiro grau e não é capaz de aplicar esse conhecimento em sua vida.

Know-how não é apenas saber fazer e nem somente fazer bem-feito. Fazer bem-feito é habilidade. Know-how é fazer bem-feito e de forma bela, elegante. O que marca o know-how é a beleza e a segurança de que aquilo que se espera do indivíduo vai ser entregue com surpresa agradável. O indivíduo com know-how é sempre capaz de surpreender e encantar quem vai receber o seu trabalho, a sua produção. Ele é capaz de entregar os benefícios e algo mais.

Know-what é outro termo da língua inglesa que pode ser traduzido por “saber o porquê” algo é feito de determinadas formas e não de outras. O indivíduo que tem know-what é aquele que conhece de verdade, que sabe o esquema lógico que explica o funcionamento daquilo que conhece, sabe como operar esse esquema lógico, é capaz de produzir alguma coisa com o que sabe e compartilha sua produção. Não é apenas alguém que explica as causas das coisas: é alguém que aplica o que sabe de forma bela, elegante e confiável porque também tem know-how.

A experiência nada mais é do que a repetição daquilo que se sabe e que, por isso, se tem habilidade. O indivíduo que tem experiência, portanto, já fez aquilo que se propõe a fazer muitas e muitas vezes, não apenas para ganhar dinheiro, mas para dar a si mesmo a segurança necessária para oferecer sua capacidade de inovação. Como a prototipagem e todas as atividades de geração de tecnologias são desafiadoras, quem tem experiência se dispõe a ampliar ainda mais o leque de inovação como compromisso pessoal.

O comportamento é a disposição que as pessoas têm para agir em conformidade com o que delas é esperado, sem ferir seus valores. Comportamento e valores são duas dimensões do capital humano indissociáveis e interdependentes, sendo que o comportamento é a parte da competência humana mais desafiadora de ser conquistada. Tanto é assim que nem sempre as poucas pessoas que têm habilidades, conhecimentos, know-how, know-what e experiência possuem os comportamentos mínimos para a composição de equipes de inovação. Na verdade, é muito mais desejável que as pessoas tenham comportamento inovador (vontade de aprender, humildade, determinação, curiosidade etc.) e pouca habilidade, conhecimento, know-how, know-what e experiência, do que tenham muito dessas últimas e quase nada de talento comportamental.

Os valores são a sublimação dos comportamentos do bem, como alteridade, solidariedade, amorosidade e empatia, dentre outros. Os valores do capital humano estão muito próximos da espiritualidade (que não deve ser confundida com religiosidade).

Os indivíduos que têm capital humano, geralmente, são diferenciados porque estão voltados, decididamente, para duas coisas básicas: gerar solução para problemas e suprir necessidades. Esse comportamento é efetivo porque não está limitado aos outros: quem tem capital humano aplica seus recursos comportamentais também a si mesmo. Ele é o agente e o receptor do que tem de mais magnânimo, que é a capacidade de realização, traduzida em termos de geração de benefícios, para si e para os outros.


Blog Author Image

Articulista/Colunista

Dr. Daniel Nascimento e Silva

PhD, Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

Contribua. Comente!

O que achou deste artigo?




Assine nossa Newsletter para receber as edições do Jornal O GUARANI no seu WhatsApp ou e-mail. É grátis, e você fica atualizado(a) nas notícias do Amapá e da Amazônia.

✉️ Assinar o Jornal O GUARANI grátis

Web Rádio Jornal O GUARANI Ao vivo

Participe do nosso Quiz interativo com curiosidades e perguntas especiais.

❓ Fazer o Quiz agora

Watch Live

Live Tv
Author

Polical Topic

by Robert Smith